tamanho da fonte:
imprimir

Um dia, uma briga com a mãe…

198837_461318443949676_693379557_nVéspera do Dia das Mães. E é engraçado porque hoje lembrei justamente do dia em que fiquei indignado com ela. Dona Noêmia (a própria) costuma dizer que não tive tempo de ser rebelde e que minha adolescência foi atípica – em suas palavras –, já que comecei a trabalhar cedo demais (aos 12 anos) com meu pai… Mas aí, um dia, ela me arrumou mais uma.

Botou na cabeça que eu ia fazer francês e lá se foi para o Centro Interescolar de Línguas de Taguatinga disputar minha vaga. Fui o último número sorteado, mas entrei. Detalhe: não comemorei, fiquei chateado. “Poxa, mãe, por que você fez isso comigo?”, indaguei. Estava tão cansado e ainda ia ter que estudar por anos aquela língua que me era estranha… queria mesmo era falar inglês, espanhol… mas assim foi.

É aquela coisa que no momento a gente não entende. Só pensa na imposição da realidade que vive, dos pais que mandam e que nossos desejos juvenis não são respeitados.

Ela passou a madrugada na fila para conseguir um número. Naquela época, o CILT abria mais ou menos 400 vagas com 3 mil alunos disputando. Era muito concorrido conseguir estudar lá. Dona Noêmia achava que eu aprenderia inglês e espanhol com amigos, mas que francês, não. E sabiamente escolheu o francês porque era o idioma com menos concorrência.

O processo acontecia por sorteio. Meu número, lembro bem, era o “5”. Ficamos o dia inteiro na escola esperando o bendito sorteio… lá se foi a galera que conseguiu as vagas para o inglês, depois para o espanhol… e o povo indo embora e a gente lá esperando… o locutor anunciou: 40 vagas para a última turma de francês… e foi chamando número por número. Eis que o último sorteado foi o “5”, eu… Ela vibrou de felicidade! Lembro do seu sorriso… E, cara, como o francês foi importante na minha vida!

No início foi difícil, mas depois me apaixonei pela língua. Exatamente por ser um idioma menos comum consegui ganhar um dinheirinho fazendo tradução. Depois, quando entrei na UnB, tinha um professor que só dava aula em francês. Na sala de aula, era nítida a cara de pavor da turma… mas eu entendia o que ele dizia. Hoje agradeço porque foi graças à insistência dessa mãe guerreira que entrei no curso.

Então, minha mensagem é no sentido de refletir. Às vezes pode ter alguém que esteja lendo isso aqui hoje e que esteja, de alguma forma, contrariado com a mãe. Não sei… Só sei que o sangue juvenil muitas vezes nos impede de enxergar o outro lado. E já que domingo é o dia delas, nada melhor do que fazer esse exercício. Porque, no fim, quase sempre, elas realmente têm razão.

E para a senhora, minha mãe, é isso aí! Depois de anos, tenho que reconhecer: você estava certa mais uma vez. Hoje percebo sua atitude incrível, visionária e como fui injusto… Obrigado por nunca ter desistido de mim e dos meus irmãos. Você é a melhor mãe do mundo! Amo você!

Deixe seu comentário



(não será publicado)