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O desesperador estouro dos homens bomba

Um grupo de amigos fechava a semana, compartilhavam expectativas e projetos para o futuro, sentados num charmoso restaurante. Mais um happy hour de sexta-feira, quando a música foi substituída por gritos, rajadas de metralhadoras, objetos se quebravam, pessoas se jogavam no chão, corpos caíam e o desespero era o sentimento de todos, sobreviventes e feridos, em meio a corpos, desespero e ambulâncias.

Não, não estou falando da França, na verdade eu pensava na Síria, em uma cidade qualquer, nos arredores de Damasco. Com certeza, cenas como esta se repetiram centenas de vezes, desde o começo da Guerra Civil, em 2011, entre o governo de Bashar al-Assad e seus opositores. Um show de horrores, “bancado” pelas grandes potências na sua nova guerra fria velada, que contou com uso de armas químicas e se tornou ainda mais cruel com a ascensão dos Estado Islâmico.

Foi na instabilidade provocada pela guerra civil Síria e pela presença estadunidense no devastado e fragilizado Iraque, que o EI encontrou um campo fértil para crescer. Uma cadeia de tragédias, que trazem como legado mais de 200 mil mortos e quase 4 milhões de refugiados, só na Síria. Se pensarmos em vítimas do Estado Islâmico, no último ano são contabilizadas mais de 11 mil pessoas, decapitadas, apedrejadas, afogadas, carbonizadas, explodidas ou lançadas do topo de prédios.

Afinal, as trágicas execuções públicas ganharam a cena, já que se tratam de uma política do grupo, que ao mesmo tempo que assustam e reprimem cristãos e minorias religiosas, entretêm plateias ensandecidas, impressionam jovens e crianças recrutas e dão recados intimidadores para o ocidente.

Fatos reais distantes, que serviram para fechar pautas de jornais ou bancar programas sensacionalistas. Uma onda de violência e caos, causada por tantos outros motivos diversos, que tomam conta ainda do Iraque, Paquistão, Afeganistão, Nigéria, Líbia e tantos outros países.

Tragédias que atravessaram o Mediterrâneo e chegaram a Europa em barcos improvisados, abarrotados de milhares de pessoas e expectativas. Só este ano já somam 750 mil refugiados. Muitos naufragaram na travessia, mas os sobreviventes ainda vivem à deriva, mesmo em solo. Multidões se arrastam pelos quatro cantos da Europa, longe de casa e em busca de um novo lar.

Exatamente! O caos, a miséria e o desespero atravessaram o mar e bateu na porta do ocidente. A instabilidade que fortalece o Estado Islâmico e a sua interpretação extremista e distorcida da sharia (conjunto de doutrinas islâmicas) atinge a Europa onde o grupo ganha adeptos, novos militantes.

Os franceses viveram na sexta-feira 13, por algumas horas, o que sírios, iraquianos, nigerianos, líbios e afegãos sofrem há anos.

É extremamente triste, injustificável e inadmissível o aconteceu na França. Foi um recado insano e que sabemos foi para todo Ocidente. Os franceses choram, o mundo chora os 129 mortos. Infelizmente esses não foram os primeiros e sabemos, não serão os últimos. Até quando vamos continuar contando?

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