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Em Plenário, Israel desabafa: “Hoje o maior sofredor de bullying deste país é o professor!”

Foto: Márcio MotaO que para alguns talvez fosse um discurso felicitando os professores pela data tornou-se um desabafo e um verdadeiro apelo do deputado Professor Israel por respeito à categoria. Israel foi à tribuna da Câmara Legislativa, nesse 15 de outubro, falar sobre os dramas que os professores vivem diariamente em salas de aula e cobrar uma atitude mais consciente dos governantes e da sociedade.

“Nós não podemos mais aceitar essa falsa pedagogia que passa a mão na cabeça de uma sociedade, de um estudante que não quer respeitar o professor mais”, disse. O Professor Israel começou seu discurso destacando a decisão acertada de um juíz de Sergipe, que negou improcedente a ação de aluno contra o professor que tomou seu celular, porque ele ouvia música com fones durante sua aula. A mãe do aluno alegou que o filho sofreu dano moral e a ação serviria para reparar “seu sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional”.

Para o juiz de Direito Eliezer Siqueira de Sousa Júnior, da 1ª Vara Cível e Criminal de Tobias Barreto de Sergipe, não houve dano moral algum e ele ainda destacou o papel de verdadeiros heróis que são os professores brasileiros. “No país que virou as costas para a Educação e que faz apologia ao hedonismo inconsequente, através de tantos expedientes alienantes, reverencio o verdadeiro herói nacional, que enfrenta todas as intempéries para exercer seu “múnus” com altivez de caráter e senso sacerdotal: o Professor.” (clique aqui para saber mais)

Discurso-desabafo
Israel disse que ficou emocionado com a decisão do juiz num país que não entende o espaço social do professor e destacou, em seu discurso, diversos pontos da problemática da realidade educacional do país e dos docentes. Confira:

“Houve um tempo em que qualquer decisão numa cidade brasileira dependia da opinião do prefeito, do delegado e do diretor da escola. E hoje o que é um professor na sociedade? Ele é nada! Hoje o maior sofredor de bullyng nas salas de aula desse país é o professor. É o professor que precisa lidar na sala de aula com verdadeiros marginais, muitas vezes. Ele não tem respeito dos alunos, nem dos pais dos alunos, porque o próprio estado não o respeita. Quantas vezes eu ouvi em sala de aula “não fale assim comigo porque eu estou pagando” ou “toma cuidado comigo, professor, porque você não sabe do que sou capaz”?

E continuou:
“Quantos colegas, durante esses últimos quatro anos, me telefonaram angustiados, dizendo que estavam sendo ameaçados em sala de aula? Quantos me disseram que deram nota baixa para seus alunos e foram agredidos fisicamente pelos pais? O professor perdeu respeito na sociedade. Essa sociedade doente. E nós vamos resgatar o respeito pelo professor. Porque a categoria não quer fazer greve só por salário não. Ela quer isonomia salarial porque é o professor que tem tanto nível superior quanto qualquer outro funcionário do GDF. Eu estudei muito e os meus colegas também. É um absurdo que um professor doutor em Matemática esteja na rede dando aula de dança! É o fim do mundo. Isso não é de um país respeitável.

Então, senhor presidente, nós não podemos mais aceitar essa falsa pedagogia que passa a mão na cabeça de uma sociedade, de um estudante que não quer respeitar o professor mais. É uma pedagogia que diz que o rico estuda numa escola particular e na escola particular tem prova, mas escola de pobre não tem prova. Não fazem prova. O pobre pode ser cobaia de experimentações pedagógicas, ditas libertárias, mas que não fazem dele um verdadeiro cidadão desse mundo concorrencial que nós vivemos. Porque a escola virou depósito de criança, restaurante comunitário. Tudo! Menos um lugar para educar as nossas crianças e jovens.

Então nesse Dia do Professor eu quero dizer que esse juíz teve bons professores e foi iluminado. Porque os professores, principalmente na rede pública, estão cansados de serem tratados de forma desigual de serem desrespeitados. E o alunos pobres têm que ter o mesmo tratamento do aluno rico. E nós vamos ficar de olho nessas teses que se dizem libertárias, mas que são escravizantes do povo. A vida cobra pontualidade, a escola não cobra, a vida cobra disciplina, a escola não cobra, a vida diz que existem chefes e empregados, que existem hierarquias naturais, que cada um tem a sua vez ao seu tempo e momento… a escola não. Porque trata todos numa democracia falsa, democratista e que está errada e que nós vamos combater. Porque nós professores, a partir de agora, vamos exigir respeito. E respeito se dá com isonomia feita com mais categorias de nível superior e o respeito se dá, sr. Presidente, com o devido tratamento que nós merecemos na sociedade brasileira”, finalizou

 

 

 

Fonte: GabiNET – VM

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