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Artigo do Professor Israel sobre os ciclos de aprendizagem

Israel Batista

Deputado distrital, cientista político e professor de História

A implantação dos ciclos de aprendizagem e semestralidade nas escolas da rede pública do DF é um erro. Não que eu seja contra o modelo, considerado um avanço na educação, mas ele não pode ser usado como instrumento para disfarçar números (no caso, reprovações). É uma medida dentre um conjunto de medidas que precisam ser adotadas para que funcione. Se não forem bem aplicados com o auxílio de outras ações, os ciclos apenas permitem que semianalfabetos cheguem ao ensino médio.

No Facebook, onde iniciei uma discussão sobre o assunto, uma professora relatou ter recebido em 2012 um aluno do 6º ano que “mal sabia assinar o próprio nome e mal conhecia todas as letras do alfabeto”, nas palavras dela.

E mais: não houve um amplo debate com a sociedade, educadores e especialistas, mostrando que ainda há muito a avançar em termos de gestão democrática. É preciso discutir antes de definir a melhor política a ser adotada. Transformações mais radicais exigem que se rompa com a ideia de fórmulas prontas. Não é só passar o aluno. E os critérios para acompanhá-lo se ele tiver dificuldades? E a capacitação dos professores para essa mudança?

Um caminho possível, antes de adotar os ciclos em definitivo, seria implantá-los em um grupo ou escolas previamente selecionadas e avaliar os resultados, para depois, estender às demais. Não assim, de forma precipitada, e que só vai comprometer o aprendizado e desenvolvimento dos próprios alunos.

Todos esses elementos nos levam a crer que mais sensato seria começar um debate e não levar o modelo imediatamente para as escolas. Faremos no dia 26 deste mês (terça-feira), às 19h, uma audiência pública na Câmara Legislativa, chamando todos os envolvidos nesse processo. Eles precisam ter voz, opinar, sugerir e avaliar. Eis aí a chave para apontar o destino dos ciclos.

*Artigo do Professor Israel publicado no Jornal de Brasília, dia 17 de fevereiro de 2013.

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